Contemplando nossos adoráveis e desagradáveis umbigos

Umbigo é o nosso Rei? Considerações cobre o individualismo e o personalismo dos brasileiros , coletânea idealizada e organizada pelo publicitário, articulista e palestrante Marco Antonio Boa Nova Valério, que também assina um dos textos, pretende fornecer aos milhões de leitores-umbigóides brasileiros altas considerações e doutos subsídios sobre nossas ancestrais e centenárias leis de Gerson e sobre a vetusta cultura de nossos ora protuberantes e eufóricos e ora depressivos umbigos. Foram convidados alguns de nossos melhores cronistas, romancistas, ensaístas e poetas para falar sobre nossos maravilhosos e terríveis umbigos.

Luiz Antônio de Assis Brasil, Affonso Romano de Sant’Anna, Celso Gutfreind, Cláudia Laitano, Marina Colasanti, Leonardo Brasiliense, Luís Augusto Fischer, Marcelo Carneiro da Cunha, David Coimbra, Juremir Machado da Silva, Fabrício Carpinejar, Martha Medeiros, Diana Corso, Eliane Brum, Moacyr Scliar, Tatata Pimentel e Luiz Carlos Merten falam sobre adultério, relações históricas, literatura, irmão do meio, cooperativismo à brasileira, individualismo, tamanho do ego nas telas, umbigo de Caim e outras relevâncias umbilicais. Marco Antonio Boa Nova Valério apresenta profundo, instigante e hilariante monólogo em dois atos sobre o Umbigo Rei no País dos Umbigóides , ao final do qual os leitores vão saber que deletar a umbigolatria com o controle remoto é fácil, mas que o furo, na vida real, literalmente, é mais em baixo, bem mais em baixo, como a gente há muito arde em saber.

Não é fácil explicar o individualismo e o personalismo dos brasileiros. Sérgio Buarque de Holanda, no clássico Raízes do Brasil, fez a sua parte, falando de nossos colonizadores-umbigóides. Os co-autores da coletânea fizeram a parte deles, mostrando que não é fácil essa nossa mania de se dar bem, levar vantagem e ficar furando as filas da história e da História. Os leitores certamente conhecem muitos umbigóides, criaturas sedutoras e envolventes que andam por aí, puxando a brasa para os assados deles e dando jeitinhos intermináveis para continuar a fazer parte da tribo dos capitalistas selvagens e do time que ganha o jogo sempre, mesmo que tenha que dar algum para o juiz. 160 páginas. R$ 28,00. Artes e Ofícios Editora, telefone 3311-0832.

FONTE: Jornal do Comércio, 2 de junho de 2006. Caderno Viver, página 10.

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